Moraes manda PGR se manifestar sobre depoimento cancelado de Flávio em inquérito que apura calúnia contra Lula

Escrito em 28/07/2026


PF cancela depoimento de Flávio Bolsonaro em inquérito que investiga suposta calúnia contra Lula O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste, em 15 dias, sobre a não realização de um depoimento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no inquérito que o investiga por suspeita de caluniar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O depoimento de Flávio, que é candidato à Presidência da República, havia sido marcado para as 14h desta terça-feira (28). A defesa, porém, apresentou seus argumentos por escrito no período da manhã. Os advogados de Flávio solicitaram que, no lugar do depoimento presencial, fossem consideradas suficientes as justificativas apresentadas no documento. Com isso, a PF cancelou a oitiva. No despacho desta tarde, Moraes, relator do inquérito, afirmou que a polícia ofereceu a Flávio a possibilidade de indicar data e horário para o depoimento, mas "não houve qualquer manifestação no sentido de viabilizar o ato", nem mesmo por videoconferência. "Em virtude dessa recusa, o depoimento de Flávio Nantes Bolsonaro foi agendado para o dia 28/7/2026 (terça-feira), às 14h, tendo sido devidamente intimado pela autoridade policial. Ocorre, entretanto, que, momento antes da realização de seu depoimento, Flávio Bolsonaro apresentou seus argumentos por escrito, deixando, novamente, de comparecer à Polícia Federal", afirmou Moraes. Por essa razão, o ministro enviou o processo para análise e manifestação da PGR. Entenda o caso A investigação apura uma postagem de Flávio Bolsonaro na rede social X (antigo Twitter), em 3 de janeiro deste ano. Na ocasião, o senador associou imagens de Lula ao ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro, e publicou uma mensagem afirmando que o petista "será delatado". Em seguida, o senador listou crimes como tráfico internacional de drogas e de armas, lavagem de dinheiro, apoio a terroristas e fraude eleitoral. No documento apresentado ao STF, a defesa de Flávio sustentou que a publicação investigada "não configura crime" e que "não houve atribuição falsa de fatos" ao presidente Lula. Segundo a defesa, a postagem continha duas frases independentes, sendo uma relacionada a Lula e outra a Nicolás Maduro. A frase "Lula será delatado", de acordo com a defesa, representava apenas uma previsão sobre um evento futuro, sem atribuir qualquer fato concreto ao presidente. O senador e candidato à Presidência Flavio Bolsonaro (PL-RJ) Reuters/Adriano Machado
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