Entenda por que não é possível prever microexplosão com antecedência A microexplosão que causou destruição em pelo menos seis cidades da região de Ribeirão Preto (SP) na última sexta-feira (24) não foi detectada pelos radares meteorológicos e muito menos prevista. Segundo a meteorologista da Climatempo, Joséli Pegorim, este tipo de fenômeno é difícil de ser identificado, mesmo nos equipamentos mais modernos. "Nós não conseguimos, tecnicamente, com todos os avanços que nós temos hoje, dar alertas de microexplosão ou de tornados com mais de 24 horas de antecedência. O que os meteorologistas conseguem antever é a possibilidade da formação de uma supercélula, mas onde, exatamente, ela vai se formar, só conseguimos ver através de imagens de radar meteorológico, imagens de satélite, pouco tempo antes de ela acontecer." De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as informações disponíveis na sexta-feira consistiam em registros pontuais de velocidade do vento, precipitação, descargas atmosféricas e relatos locais, variáveis que indicavam a ocorrência de tempestades na região. Ribeirão Preto, Guariba, Taquaritinga, Dumont, Pradópolis e Barrinha foram afetadas. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), admitiu a dificuldade dos modelos meteorológicos atuais de prever fenômenos extremos. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Barracão de empresa de amendoim destruído em Dumont (SP) Marcelo Moraes/EPTV Considerados fenômenos de tempo severo, tanto a microexplosão como o tornado são gerados em uma supercélula, que é uma nuvem muito carregada e de grande extensão. Mas nem ela é possível de ser identificada. Ainda segundo a meteorologista, a dificuldade está no tipo de fenômeno em questão. Microexplosões ou tornados são fenômenos muito intensos e de uma duração muito pequena. "Um tornado, uma microexplosão, duram minutos. Então, a gente só consegue perceber que existe ali uma supercélula, digamos assim, uma, duas horas antes. Aí você já sabe o que pode ocorrer em um evento intenso. 'Aqui pode ocorrer uma chuva muito intensa, uma rajada de vento muito intensa', mas a gente não consegue dizer 'naquela região', precisar onde isso vai acontecer. É uma limitação técnica, porque são fenômenos muito intensos e de uma duração muito curta." Temporal com ventos de até 120 km/h causam prejuízo em Guariba, SP Lindomar Cailton/EPTV LEIA TAMBÉM: Guariba sem luz: rede de energia é reconstruída após temporal com ventos de até 160 km/h ‘Cenário de guerra’, diz prefeito de Dumont após temporal destruir barracões e danificar casas Microexplosão ou tornado: o que provocou temporal com estragos e morte na região Cerca de 96 horas após temporal, postos de saúde e escolas seguem fechados em Ribeirão Correntes de ar Uma estimativa inicial do governo de São Paulo aponta que o temporal afetou 79 mil hectares, área equivalente a 110 mil campos de futebol ou o tamanho de cidades como Petrópolis (RJ) e Campinas (SP). A diferença entre um tornado e uma microexplosão, ainda segundo a meteorologista, é a forma das duas correntes de ar. O tornado é uma corrente de ar giratória e a microexplosão faz um movimento para baixo e para os lados. "O tornado faz um caminho, ele vai caminhando. A microexplosão vai como se fosse saindo das bases da nuvem em uma forma radial, mas concentrada em uma área muito pequena. Ela vai para baixo e para os lados. O tornado faz um giro, a corrente de ar é um movimento giratório. A microexplosão é uma corrente de ar que vai para vários lados ao mesmo tempo". Dependendo da intensidade, os dois fenômenos causam danos bem semelhantes. Árvore tombada durante temporal de sexta-feira (24) em Ribeirão Preto, SP Luciano Tolentino/EPTV Como ocorre a supercélula? Na semana passada, as condições climáticas, que indicavam a chegada de uma frente fria na região Norte do estado de São Paulo, contribuíram para a formação de supercélula. Mas a meteorologista Josélia Pegorim explica que ela pode se formar independentemente da presença de uma frente fria. "Uma supercélula pode se formar mesmo sem ter uma frente fria. Basta que você tenha uma atmosfera muito instável. Essas supercélulas, que são essas nuvens muito intensas, muito extensas, que podem gerar tornado ou microexplosão, podem se formar em um ambiente onde você tenha um ar muito quente e úmido junto com o ar seco e quente. Você pode ter essas situações, por exemplo, em um dia às vezes muito quente de verão, ou de primavera". No caso específico da semana passada na região de Ribeirão Preto, o que causou a supercélula foi uma frente fria, que chegou com força ao estado de São Paulo. "Antes de essa frente chegar, nós já tínhamos uma situação de ar muito quente por aqui para os padrões de julho, um ar muito quente e seco. Então, houve uma mistura bastante propícia para a formação desse tipo de fenômeno, que você encontra massas quentes e secas com massas úmidas e frias, que no caso é a frente fria". Fábrica na entrada de Dumont destruída Reprodução/EPTV Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região
Microexplosão: é possível prever o fenômeno que causou temporal com ventos de 160 km/h na região de Ribeirão Preto?
Escrito em 28/07/2026
Entenda por que não é possível prever microexplosão com antecedência A microexplosão que causou destruição em pelo menos seis cidades da região de Ribeirão Preto (SP) na última sexta-feira (24) não foi detectada pelos radares meteorológicos e muito menos prevista. Segundo a meteorologista da Climatempo, Joséli Pegorim, este tipo de fenômeno é difícil de ser identificado, mesmo nos equipamentos mais modernos. "Nós não conseguimos, tecnicamente, com todos os avanços que nós temos hoje, dar alertas de microexplosão ou de tornados com mais de 24 horas de antecedência. O que os meteorologistas conseguem antever é a possibilidade da formação de uma supercélula, mas onde, exatamente, ela vai se formar, só conseguimos ver através de imagens de radar meteorológico, imagens de satélite, pouco tempo antes de ela acontecer." De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as informações disponíveis na sexta-feira consistiam em registros pontuais de velocidade do vento, precipitação, descargas atmosféricas e relatos locais, variáveis que indicavam a ocorrência de tempestades na região. Ribeirão Preto, Guariba, Taquaritinga, Dumont, Pradópolis e Barrinha foram afetadas. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), admitiu a dificuldade dos modelos meteorológicos atuais de prever fenômenos extremos. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Barracão de empresa de amendoim destruído em Dumont (SP) Marcelo Moraes/EPTV Considerados fenômenos de tempo severo, tanto a microexplosão como o tornado são gerados em uma supercélula, que é uma nuvem muito carregada e de grande extensão. Mas nem ela é possível de ser identificada. Ainda segundo a meteorologista, a dificuldade está no tipo de fenômeno em questão. Microexplosões ou tornados são fenômenos muito intensos e de uma duração muito pequena. "Um tornado, uma microexplosão, duram minutos. Então, a gente só consegue perceber que existe ali uma supercélula, digamos assim, uma, duas horas antes. Aí você já sabe o que pode ocorrer em um evento intenso. 'Aqui pode ocorrer uma chuva muito intensa, uma rajada de vento muito intensa', mas a gente não consegue dizer 'naquela região', precisar onde isso vai acontecer. É uma limitação técnica, porque são fenômenos muito intensos e de uma duração muito curta." Temporal com ventos de até 120 km/h causam prejuízo em Guariba, SP Lindomar Cailton/EPTV LEIA TAMBÉM: Guariba sem luz: rede de energia é reconstruída após temporal com ventos de até 160 km/h ‘Cenário de guerra’, diz prefeito de Dumont após temporal destruir barracões e danificar casas Microexplosão ou tornado: o que provocou temporal com estragos e morte na região Cerca de 96 horas após temporal, postos de saúde e escolas seguem fechados em Ribeirão Correntes de ar Uma estimativa inicial do governo de São Paulo aponta que o temporal afetou 79 mil hectares, área equivalente a 110 mil campos de futebol ou o tamanho de cidades como Petrópolis (RJ) e Campinas (SP). A diferença entre um tornado e uma microexplosão, ainda segundo a meteorologista, é a forma das duas correntes de ar. O tornado é uma corrente de ar giratória e a microexplosão faz um movimento para baixo e para os lados. "O tornado faz um caminho, ele vai caminhando. A microexplosão vai como se fosse saindo das bases da nuvem em uma forma radial, mas concentrada em uma área muito pequena. Ela vai para baixo e para os lados. O tornado faz um giro, a corrente de ar é um movimento giratório. A microexplosão é uma corrente de ar que vai para vários lados ao mesmo tempo". Dependendo da intensidade, os dois fenômenos causam danos bem semelhantes. Árvore tombada durante temporal de sexta-feira (24) em Ribeirão Preto, SP Luciano Tolentino/EPTV Como ocorre a supercélula? Na semana passada, as condições climáticas, que indicavam a chegada de uma frente fria na região Norte do estado de São Paulo, contribuíram para a formação de supercélula. Mas a meteorologista Josélia Pegorim explica que ela pode se formar independentemente da presença de uma frente fria. "Uma supercélula pode se formar mesmo sem ter uma frente fria. Basta que você tenha uma atmosfera muito instável. Essas supercélulas, que são essas nuvens muito intensas, muito extensas, que podem gerar tornado ou microexplosão, podem se formar em um ambiente onde você tenha um ar muito quente e úmido junto com o ar seco e quente. Você pode ter essas situações, por exemplo, em um dia às vezes muito quente de verão, ou de primavera". No caso específico da semana passada na região de Ribeirão Preto, o que causou a supercélula foi uma frente fria, que chegou com força ao estado de São Paulo. "Antes de essa frente chegar, nós já tínhamos uma situação de ar muito quente por aqui para os padrões de julho, um ar muito quente e seco. Então, houve uma mistura bastante propícia para a formação desse tipo de fenômeno, que você encontra massas quentes e secas com massas úmidas e frias, que no caso é a frente fria". Fábrica na entrada de Dumont destruída Reprodução/EPTV Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região